Publicado por: Autor | 10/10/2009

Justiça por Julio

No dia 9 de julho deste ano o agente de controle de endemias Júlio Baptista Almeida da Silva Barroso, 29 anos, desapareceu quando trabalhava no Complexo do Alemão. Até hoje, passados três meses, a polícia não apontou os responsáveis nem fez sequer uma incursão na comunidade.  

O amigo Gustavo que participou no último dia 13 de um protesto pelo desaparecimento do servidor nos mandou o seguinte relato:

“No último dia 13 de Setembro, dia da Motociata, outro protesto chamou a atenção de quem passava pela praia de Copacabana.

O protesto foi realizado por amigos e parentes do Agente de Controle de Endemias Julio Baptista Almeida da Silva Barroso, desaparecido desde o dia 9 de Julho desse ano, no Complexo do Alemão, quando estava trabalhando. Segundo foi apurado, ele teria sido confundido com um estuprador que se disfarçava de funcionário da Prefeitura para estuprar as vítimas. Julio teria sido julgado e condenado pelo “Tribunal do Tráfico”, prática infelizmente ainda muito comum nas comunidades carentes do Rio.

Esse não foi o primeiro protesto. O SINDSPREV/RJ já protestou exigindo que a Prefeitura use agentes da própria comunidade para evitar que mais tragédias como essa ocorram. A família vem pressionando as autoridades por Justiça, já que até agora, nem o corpo foi encontrado e nem os responsáveis presos.”

Gustavo Pereira é designer, pintor e músico

Fatos como esse devem ser apurados com transparência. As autoridades devem uma satisfação do que ocorreu à família e à sociedade.

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Responses

  1. Aconselharia a familia a procurar o MP e o próprio Governador, no sentido de que seja apurado com rigor este acontecimento. Fato lamentável que já não é o primeiro a acontecer em nossa cidade.
    Enquanto as autoridades responsáveis pela Segurança Pública não tomarem as rédeas e partirem para ações concretas de profilaxia nos antros onde se escondem esses marginais, a sociedade do Rio de Janeiro continuará refém dos criminosos.

  2. Caro Amigo Fittipaldi, é isso mesmo, a sociedade não pode abrir mão dos seus direitos de ter segurança pública garantida pelo estado, deve cobrar as ações necessárias.

  3. Uma pergunta: como é que a prefeitura manda alguém se aventurar a trabalhar em um covil sem a menor segurança?

    Pelo visto as coisas por lá andam de vento em popa para os bandidos. É preciso saber também se houve algum pacto de não agressão entre “bandidos e mocinhos” ou se a Secretaria de Segurança realmente acha que acabou com o tráfico na área o ocorrido foi apenas um “descuido efêmero”.

    Mas as duas opções são imperdoáveis.

  4. Ricardo, acho que foi a Magessei que denunciou que a policia nao estava entrando no Alemão por causa das obras do PAC, ou seja, isso que vc falou, uma tipo de “pacto” de nao agressão. Será ????

  5. Sou a favor que os agentes sejam de fato da própria comunidade, até porque conhecem melhor do que ninguém a realidade.
    O fato é que com pac ou sem pac a investigação tem que ocorrer. É obrigação da polícia apurar e nossa, cobrar.

  6. Excelente sugestão da Andréa, inclusive que já é utilizada em alguns projetos, mas deveria ser efetivada através de uma regulamentação legal: os agentes de saúde, os professores, e demais profissionais que atuem nas comunidades deveriam ser preferencialmente moradores locais, ou ao menos ter uma percentual para os moradores. Evita deslocamento entre bairros, melhorando o tráfego, gera empregos nas comunidades e dá a oportunidade que pessoas que conhecem diretamente a realidade do local onde moram, atuem profissionalmente nesta realidade.
    Mas neste momento é importante que a sociedade COBRE das autoridades uma resposta. Agora virou “moda” ? a pessoas desaparecem e fica tudo por isso mesmo ? Vamos ficar aguardando desaparecer uma filho de família rica para ver as autoridades tomarem uma providência ? Somos um povo acomodado demais. E agora já temos a Olimpíada, pronto, atingimos o nirvana, não precisamos mais de nada !!! rs

  7. Andrea, obrigado por ter publicado o texto, mais uma vez. Realmente fiquei sensibilizado com a historia dessa familia, gente muito simples, que me garantiu que o Julio era uma pessoa muito tranquila.

    É claro que sabemos o quanto é difícil a polícia recuperar os restos mortais do rapaz, mas o Estado tinha que ter a obrigação de apurar casos como esse. Isso não é brincadeira. Uma vida se foi, uma familia até hoje sofre com isso, tudo por conta de uma perda de controle por parte do Estado.

    E tambem acho que os agentes deveriam ser escolhidos na própria comunidade, como o Sindsprev exige.


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