Publicado por: Autor | 09/04/2011

O Rio muito mais triste…

Reportagem de O Globo.

 

“Não tenho vergonha de dizer que estou triste”, é a frase de Mário Quintana. Eu não tenho vergonha de dizer, estou triste como quem perde 12 amigos.

Fui aluna de uma escola pública, municipal. Ao ver toda essa tragédia, lembrei de mim, com minha blusa branca e emblema do Rio no bolso, saia azul marinho de preguinhas, um tênis Bamba, e uma mochila da “Company” comprada no camelô de Madureira. Me vi sentada na sala da 7a. Série do 1o. grau, aos 13 anos,  tendo aulas com a Dona Graça, minha professora de Biologia e que era uma das poucas que acreditavam que eu, aluna de escola pública de Vigário Geral iria conseguir estudar Medicina numa faculdade federal. Nessa época, nem minha mãe acreditava nisso, pois éramos tão pobres. Me vi ali, naquela escola de Realengo, sentada na carteira ao lado dessas crianças, comendo a mesma merenda (será que ainda servem macarrão com salsicha?), sonhando os mesmos sonhos. Ontem eu ouvia Menudo, hoje, aquelas meninas devem ouvir Justin Bieber, mas a foto do ídolo na capa do caderno nos une através do tempo.

E agora a dor ultrapassa a fronteira do tempo. E apesar dos longos anos que separam a aluna de escola pública de ontem, que eu fui, e esses alunos de escola pública de hoje, que eles são. Fica a enorme dor, fica a imagem de mim mesma, perdendo os meus amigos de escola, como são essas crianças. É muito triste perder nossos amigos. Não, não tenho vergonha de dizer que estou triste e que tenho chorado muito por eles que se foram de uma forma tão incompreensível.

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Responses

  1. Todos nós sentimos essas mortes como a morte de vários valores de nossa sociedade.
    Quando vejo essas tragédias, lembo da Cleyde que sempre se fazia presente para dar um colo as famílias enlutadas.
    Tenho acompanhado o Caso da Joanna marcenal e há uns 15 dias estivemos na ALERJ acompanhando o depoimento da mãe para a Comissão de Direitos Humanos da casa.
    Minha memória afetiva trazia a Cleyde aquele espaço, sentia que se estivesse fisicamente entre nós lá estaria participando daquele momento solidário.
    A violência cresce em níveis assustadores, principalmente contra as mulheres, e o que vemos? Juízes colocando na rua assassinos covardes, psicopatas, deixando as pessoas de bem totalmente desprotegidas.
    Meu comentário virou um desabafo, mas me encontro em total descrença com nossa justiça.
    Abraços procês.


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